Impressões de quem lê livros como quem faz chá...

28
Jun 09

Novidades para quem não tem estado tão atento. Da mesma autora que estamos a ler saiu O Quarto Mágico. Li o livro há muito tempo em inglês. Garanto que é tão bom (ou melhor) do que o que vamos discutir. Deixo-vos a capa que é cativante.

 

 

publicado por I.M. às 12:02

21
Jun 09

De fácil leitura, o livro cativa pela ternura da história que se traduz numa amizade sem tamanho.

Jogando com a simplicidade da linguagem, o autor brinca com as palavras dando-lhes a personalidade que só uma criança de nove anos lhes conseguiria incutir.

Este narrador-criança toca-nos particularmente, sobretudo se tivermos em conta a inocência que o caracteriza. Vemo-lo crescer numa viagem que mudará para sempre a sua vida... Essas transformações devem-se essencialmente às experiências que vive e às atitudes que presencia.

Preso num mundo onde o amor não existe ou é idílico (como o que a sua irmã sente pelo oficial alemão), Bruno é fruto da rígida educação alemã. Ama a irmã, mas chocam-se enquanto irmãos (como em qualquer relação). E nesse aspecto, o leitor revê-se e, mesmo sem querer, é transportado à sua própria infância.

Porém, a imagem da prisão intensifica-se na nova casa onde Bruno vai morar. Um espaço amplo, vedado ao longe por arame farpado. Aí, o frio e a insegurança irão dar lugar ao calor e à segurança de uma amizade eterna.

Este menino narrardor revela-se, então, demasiado crescido para a idade, apresentando atitudes de dupla natureza: as de adulto e as de criança.

Nesse espaço de contraste (frio físico e calor humano), Bruno conhece Samuel e, simultaneamente, conhece o humanismo e a amizade. Rapidamente esquece os amigos que deixou para trás e passa a formar parte de uma vida tão solitária como a sua própria. E asssim, como pessoa, Bruno vai crescendo em imagem reflexa do próprio Samuel. Ou seja, as duas personagens são duas faces do mesmo espelho: nascem no mesmo dia, viajam de comboio (num símbolo claro de viagem final...) e, de mãos dadas, morrem juntos de "pijama às riscas" e descalços...

Por falta de ser protegido (sendo até ignorado) Bruno toma como cruzada proteger Samuel, mesmo não percebendo o que se está a passar. Dar protecção significa - também - necessidade de ser protegido.

Por influência do pai, que nada explica e tem uma ambição desmedida, Bruno parte à descoberta do que sempre lhe foi ocultado, deixando ao leitor a questão: será que se deve esconder tudo das crianças e protegê-las de tudo? A resposta parece óbvia a quem lê o livro...

Mas o pai de Bruno representa, ainda, o Nazismo puro, sendo um elo daquela máquina.

Bruno, por seu lado, como a avó que lhe ensina a ser "outro" nas peças de teatro que monta com ele, é fiel a uma amizade que lhe custará a vida. Símbolo da ingenuidade e da inocência, o pequeno rapaz mostra-nos a imensa capacidade de ter um coração grande sem olhar a quem está do outro lado do arame...

Assim, este pequeno grande livro faz-nos retirar várias lições: a uma ambição desmedida corresponderá sempre um preço a pagar que pode envolver aqueles que mais amamos; a curiosidade conduz à aventura, o que numa criança é normal. Porém, a curiosidade pode ser levada ao extremo se continuamente ocultamos às crianças as coisas menos boas da vida.

Num mundo onde cada vez mais a tolerância é uma palavra de ordem, a igualdade faz todo o sentido. Mas ainda não é assim. Continuamos a olhar os outros e a julgá-los apenas por pormenores sem a mínima importância. O livro ensina-nos a desdenhar esses pormenores e a olhar todos da mesma maneira, sem preconceitos pré estabelecidos.

Sendo o narrador uma criança, o autor consegue fazer dela uma realidade. É tão realista que nos identificamos com ela. Também nós tivemos os melhores amigos, também nós chegámos atrasados às refeições porque nos distraímos ... Também nós fomos crianças e em Bruno revemos a nossa infância. Há então dois mundos: o dos adultos, que é fabricado, e o que a criança vê, onde todos são iguais e não há preconceito nem malícia.

O pequeno Bruno foi de tal forma protegido que não vê as maldades e é por isso que tem um coração tão grande.

A maldade aprende-se, concluímos, e os adultos têm culpas no cartório.

A leitura deste livro dá-nos ainda o mundo das mulheres (vítimas como as crianças) e o dos homens, que tudo fazem para atingir o poder.

Precisamos de ensinar e de contar às nossas crianças histórias complicadas, como a do Holocausto, para que não haja mais "rapazes de pijamas às riscas".

publicado por I.M. às 14:29

20
Jun 09

Pois é, hoje é o dia marcado para a discussão do livro O Rapaz do Pijama às Riscas. Vamos ver a sensibilidade das pessoas a este texto. Mais tarde voltamos a passar por aqui para deixar as nossas leituras...

publicado por I.M. às 12:49

14
Jun 09

 Este é um dos vários ivros do autor que estamos a ler. Não está traduzido em Português, mas encontra-se à venda em Portugal na versão inglesa. Fica a informação para quem estiver interessado.

Pessoalmente penso lê-lo em inglês, até porque a história se desenrola na Rússia dos Czars, um período que me atrai (talvez porque não o conheça muito bem)...

publicado por I.M. às 17:07

08
Jun 09

Este novo espaço decorre do gosto comum de um grupo de amigos: a leitura. Uma vez por mês, reunimo-nos para tomar chá e partilhar um livro previamente escolhido. Chamamos-lhe um "Círculo de Leituras"...

E é em círculo que vamos lendo e discutindo, tentando encontrar o nosso espaço na história ou deixando que a história deslize por nós... Sempre em torno de uma chávena de chá.

O que mais me fascina enquanto elemento deste grupo é o facto de todos (e somos alguns) termos vivências diferentes, gostos diferentes e formação diferente. Saio sempre mais rica como pessoa e como leitora depois de uma sessão em volta de um livro. Confesso que muitas vezes me falta olhar os textos com um olhar "humano". Tenho tendência para ser mais técnica no meu olhar crítico. Com todos estes "fazedores de chá" aprendo a olhar os livros de um ângulo muito rico. Único, talvez....

Por tudo isto, neste espaço vamos deixar as nossas conclusões sobre o que lermos. Para que possamos partilhar com todos os que quiserem as nossas emoções, as nossas dúvidas e as nossas certezas. Em suma, as nossas leituras. Sempre com o aroma fresco da menta de um chá... Um chá de letras...

publicado por I.M. às 11:39

Círculo de Leituras
Freguesia do RAMALHAL - Torres Vedras
Estamos a ler...
Patrick Suskind, O Perfume
Data de discussão...
22 de Janeiro de 2011
pesquisar neste blog
 
Junho 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19

22
23
24
25
26
27

29
30