Impressões de quem lê livros como quem faz chá...

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Dez 09

Agora só voltamos a discutir livros à volta de uma chávena de chá no novo ano que se aproxima. Por isso, deixamos aqui, a todos os que nos visitam, os nosso votos de Boas Festas e de um Feliz 2010.

 

HISTÓRIA ANTIGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação. 
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Antologia Poética
Coimbra, Ed. do Autor, 1981

 

publicado por I.M. às 14:56

2 comentários:
O Poema é lindo, mesmo para quem é ateu. Mas o Presépio é, de longe, o mais belo que já vi. Embora não coleccione presépios, como uma amiga minha, sou apreciadora deles. Gostava de saber o que diz nos degraus. (MT)
Anónimo a 10 de Dezembro de 2009 às 13:55

que poema! palavras que delicioso!
il pene a 7 de Abril de 2010 às 15:39

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