Impressões de quem lê livros como quem faz chá...

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Mai 10

Sabemos que estamos em falta e, por isso, aqui ficam as nossas desculpas. Como diz o ditado, "mais vale tarde do que nunca"...
Se hoje o encontro gira em torno dos Ingredientes para o Amor, da última vez andámos  enredados no Amor nos Tempos de Cólera. E foi mais ou menos isto que concluímos.


O livro tem o seu grau de dificuldade no que à leitura diz respeito, sobretudo para aqueles que não estão tão habituados ao acto de ler. E a discussão esteve longe de ser pacífica ou consensual…Por isso, as opiniões não foram unânimes. E aqui começaram as divergências... Fermina amou o marido, ou Fermina amava Florentino Ariza?...
Fermina amou e respeitou o marido. Optando pelo conforto, a sua personalidade forte leva-a a assumir aquele casamento apesar das suas muitas imperfeições.
Por Florentino teve uma paixão idílica e juvenil. Por isso ama as cartas e o seu conteúdo, mas não o homem. É apenas um amor ilusório. Se não existissem as cartas, ela nunca o teria amado. Pelo contrário, para ele toda a sua vida é uma demanda. Uma demanda pelo seu grande e único amor: Fermina! As relações com as várias mulheres que vão surgindo no seu caminho são sempre tidas a pensar em outra. Todas elas são pobres substitutas de uma imagem que não se esquece. Também nos dias de hoje este é um quadro mais ou menos comum, embora nem sempre aceite ou assumido. Mas é assim que Florentino se mantém virgem de coração por Fermina…
Nesta perspectiva, Florentino não foi infiel, pois mantém-se puro e casto espiritualmente. Se casasse com outra mulher nunca a faria feliz. Faltaria sempre Fermina…
Cada amante faz-nos crer que ele é mentiroso, facto que leva a pensar na infidelidade que hoje vemos acentuada. E, curiosamente, parece ser mais fácil a mulher descobrir que o homem tem um caso do que ao contrário. Os maridos são sempre mais traidores e mais infiéis.
O mundo da história é um mundo muito parecido com o dos nossos dias. Por isso, alguns elementos culturais são claramente identificados (o toque dos sinos, que até há bem pouco tempo marcava presença nas aldeias pequenas).
Mas o tempo cura tudo e o Amor resiste… mesmo ao Tempo. Por isso, no final, Fermina percebe que ele é o seu grande Amor e aceita-o. É a maturidade, a solidão, o envelhecimento…é a vida a dar uma lição. Mas ela ama-o? Fica a dúvida para o leitor…
Para nós fica a certeza de que o amor é uma doença com consequências devastadoras. Mas, já agora, que seja eterno enquanto dure…

publicado por I.M. às 11:37

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Data de discussão...
22 de Janeiro de 2011
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