Impressões de quem lê livros como quem faz chá...

07
Jun 10

Mais uma vez, estivemos reunidos a discutir os Ingredientes para o Amor. E muito dissemos a este propósito: recordámos aromas e sabores da infância, lembrámos cozinhas e festas...Trouxemos ao presente as memórias de um passado que vai ficando distante..

De leitura fácil, o livro apresenta-nos Lillian - uma enigmática mulher que parece conhecer as necessidades das pessoas, antecipando os seus desejos - e mais oito personagens que bem podiam ser qualquer um daqueles que se cruza connosco no dia-a-dia. Às segundas-feiras, todos se juntam para cozinhar. Para criar e inventar novas formas de ser e de estar.
As histórias destas oito "pessoas" contam-se como se estivessem interligadas, tendo cada uma a sua personalidade própria. Cada personagem vem acompanhada de um prato especial que, naquele momento, a liga ao leitor e preenche, simultaneamente, um vazio. Cada prato torna-se, assim, uma oportunidade para falar e para desabafar. De cada vez que os passados destas figuras são revelados, vêm à tona o perdão, a tristeza, a alegria e a  auto-descoberta. E tudo se abre para uma nova vida...
É o anonimato da cozinha, um espaço privilegiado e repleto de simbolismo e de tradição, que une estas personagens.
A cozinha marca a diferença, pois torna-se o espaço do tempo. O espaço que tende a desaparecer numa sociedade onde a família não convive e não partilha memórias. A mulher, como elemento agregador (como Lillian o é), perde esse estatuto à luz deste actual conceito de vida. Por isso, no livro, a cozinha, ou melhor dizendo, as cozinhas, tornam-se fundamentais. Elas são o espaço da recuperação de memórias e de felicidades perdidas. Elas são o espaço da celebração da vida. Elas são o espaço onde cheira a lembranças ou desejos...
Lillian faz da sua vida um mistério. Pouco se sabe dela, mas aí é que reside o seu encanto. Toda a magia da personagem ficaria arruinada se a conhecêssemos melhor. Importa conhecer os outros. Ela é um mero elemento unificador. Como uma mãe que ensina e faz com que cada um ponha a render os seus dons. Mas não dá a receita... Porque vencer na vida decorre da superação das dificuldades. Lillian ensina, mas eles querem aprender. Por isso,ela limita-se a colocar os ingredientes na massa e espera que o prato fique pronto.
Em qualquer momento da vida, tal como a obra refere, cada um de nós é uma cadeira. Há sempre alguém que precisa de nós, do nosso colo, de se sentar e descansar... E identificamo-nos com Lillian.
Finalmente, concluímos que, afinal, a cozinha de Lillian é a cozinha da vida. Aí se aprende, aí se relembra, aí se perdoa, aí se cria, aí se recomeça, aí se renasce...


Uma leitura leve, que sugerimos seja acompanhada por um chá doce gelado numa tarde quente de Verão.

 

 

publicado por I.M. às 11:17

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