Impressões de quem lê livros como quem faz chá...

11
Dez 10

Ainda antes de falar sobre o livro, fica o pedido de desculpas pela falta de actualização do Blog. O tempo é como areia a escoar-se por entre os dedos (parece um "chavão", mas é a pura das verdades). Lemos, entretanto, A Pérola e O Leitor. Fica a opinião sobre este último. Logo que seja possível, diremos algo sobre o primeiro. Já agora, hoje bebemos chá à volta de Mil Sóis Resplandecentes.

 

 

De leitura fácil e de interpretação múltipla, o livro levanta a questão do próprio título: afinal que é o leitor? Embora mais no final se entenda claramente de quem estamos a falar, nós somos igualmente leitores/descodificadores com Hanna. Ávidos e compulsivos como aquela enigmática alemã que reflecte o orgulho daquele povo.

Hanna é uma revoltada que não mostra sentimentos, a não ser este orgulho desmedido e uma frieza quase calculista. No entanto, apresenta raros momentos de sensibilidade. Inteligente, apaixonada pelo saber, manipula a seu bel-prazer os outros. Tem vergonha de não saber ler. Tem vergonha do passado e tem vergonha de que os outros saibam que é presidiária. Acaba por ser uma mulher frustrada, ao perceber que o mundo não seguiu a linha de pensamento do seu país. É aí que sente a verdadeira derrota, pois ela era uma peça do sistema alemão.

Esta mulher - em torno de quem a história gira - modifica, para sempre, a vida de um jovem rapaz. Michael, um adolescente, começa a sentir por ela um desejo que se vai acentuando nessa adolescência que vive. Com ela inicia-se na idade adulta e em tudo o que isso acarreta. Mas não é amor o que Hanna sente. Mais uma vez ela não o ama, pois é demasiado racional e manipuladora para conseguir amar. Michael, por seu lado,  parece ver nela a amante e também a figura materna. Esta falta de apoio maternal pode conduzir a casos como este. E para que a relação dure, ou seja, para que Hanna o aceite, só há uma condição: guardar segredo. E o segredo é a apalavra chave da história e da vida...

Assim, as grandes temáticas da obra são, para além do orgulho alemão, o amor (idílico e adulto) e a gestão do segredo.

Chegado o momento de entender quem tem culpa, ou melhor, se há culpa, conclui-se que afinal talvez não exista (como conceito) porque não há arrependimento.

E saber ler, é importante? Muito! Hoje a sociedade não aceita quem não sabe ler. É um estigma.

E os segredos? Comandam a vida. Manter um segredo é deter um poder sobre os outros ou sobre alguma coisa. Por isso, o suicídio. Hanna não quer revelar o segredo que possui, nem quer ser julgada publicamente. Deste modo, o seu final é coerente com aquilo que a vemos fazer ao longo da história.

Se o segredo estiver ligado a alguém muito próximo, faz-se tudo para o guardar. E não devemos esquecer que o segredo depende do tamanho da vergonha e do tamanho do orgulho...

O tempo passa e a vida de Michael torna-se uma demanda. Vai ao campo de concentração tentar "encontrar" Hanna. Isto é, perceber o mais que puder sobre ela.

O Leitor cativa desde a relação de Michael e Hanna até ao final trágico e (in)esperado.

publicado por I.M. às 15:32

Círculo de Leituras
Freguesia do RAMALHAL - Torres Vedras
Estamos a ler...
Patrick Suskind, O Perfume
Data de discussão...
22 de Janeiro de 2011
pesquisar neste blog
 
Dezembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31